Nossa luta

As bandeiras que defendemos se articulam principalmente em torno da defesa das sementes crioulas e do poder popular. Clique nos ícones abaixo e saiba mais sobre os nossos princípios!

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 SEMENTES CRIOULAS 

 

As sementes crioulas são resultado de melhoramentos feitos por camponesas e camponeses em diversos territórios, em todo o mundo, ao longo de milhares de anos de cultivo, multiplicação e cuidado. São sementes adaptadas às condições de cultivo de acordo com a história de cada povo e das particularidades que vivencia. Elas possuem ampla base genética diferenciando-se das cultivarem melhoradas, caracterizadas por base genética estreita.

As sementes representam a liberdade do campesinato em ser o detentor do patrimônio genético, possibilitando que tenham a cada ano a diversidade sob seus cuidados para dar continuidade geração após geração.

As sementes da paixão, da resistência, locais ou sementes crioulas juntamente com as variedades e raças crioulas representam o respeito à diversidade da vida do planeta, o cuidado e manutenção dessa vida fazem parte da identidade e sobrevivência dos povos, pois são as sementes, variedades e raças crioulas a base para a produção de alimentos saudáveis que chegam à nossa mesa!

O MCP, desde seu surgimento coloca a defesa das sementes crioulas como um de seus princípios, pois é impossível lutar por soberania alimentar, autonomia camponesa sem lutar pelas sementes como um bem da biodiversidade, que deve pertencer e estar sob o cuidado das famílias camponesas.

Discutir o resgate e a multiplicação das sementes crioulas é, portanto, falar da preocupação e da responsabilidade que o campesinato tem em garantir a produção de alimentos limpos e diversificados para se autossustentar e para abastecer a mesa das famílias brasileiras.

As sementes crioulas desde 1960, estão em perigo. Nesse período chegou ao Brasil, vinda dos Estados Unidos, a chamada Revolução Verde, que nada mais foi que implantar um modelo contrário às experiências, à cultura e valores construídos por homens e mulheres ao longo de 10 mil anos.

As famílias camponesas vêm constantemente sendo ameaçadas pelo capital no campo, que é representado pelo agronegócio e é um modelo da morte! Esse modelo expulsa os camponeses, envenena a terra, as águas e ameaça toda a biodiversidade.

As famílias camponesas sem as sementes crioulas são como não ter terra e água, esses três bens naturais fazem parte de um conjunto vital tanto para a sua permanência no campo, quanto para a garantia da Soberania Alimentar e da autonomia camponesa.

As sementes são fundamentais para a continuidade da vida da humanidade, e os camponeses e camponesas devem ser guardiões e guardiãs desse bem natural responsável pela vida.

Quando lutamos pelas Sementes Crioulas estamos afirmando a nossa responsabilidade em defender, resgatar, multiplicar e valorizar uma parte de nós mesmos!

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 SOBERANIA ALIMENTAR 

Soberania alimentar é um termo criado pelos movimentos sociais da Via Campesina como contraponto à proposta simplificada da Segurança Alimentar apontada pelos governos e pela Organização das Nações Unidas (ONU), que busca combater a fome apenas por meio da garantia de alimentos para os povos, independentemente do seu local e/ou modo de produção.

Acreditamos que é dever de qualquer país garantir o acesso a alimentos em quantidade e qualidade ao seu povo, porém o debate não para por aí. Enquanto nação, temos o desafio de determinar: quanto? O quê? Como? Qual quantidade queremos produzir? Entendendo que esta produção deve cumprir o papel de, primeiramente, suprir as demandas de abastecimento interno e, posteriormente, ser comercializada para outros países.

O agronegócio, modelo hegemônico adotado pela agricultura brasileira, vai na contramão do que acreditamos como modelo de agricultura que aponta para a soberania alimentar: a agricultura camponesa. Ele é baseado na produção de commodities (matéria-prima) para exportação, além de ser sustentado em uma base de insumos e venenos que degrada o meio ambiente e causa grandes problemas à saúde da população.

O debate da soberania alimentar passa necessariamente pelas mãos do campesinato e pela construção de um outro modelo de agricultura para o país, que visualize na Agroecologia uma matriz produtiva que é capaz de garantir uma produção de alimentos de alto valor nutricional e que gere saúde para o povo brasileiro.

Acreditamos que produzir e consumir alimentos saudáveis é um ato e uma opção política. Para avançar numa sociedade justa que aponte para a construção de novas relações humanas e de respeito com a natureza, assim como a construção de uma nação soberana, a questão do alimento se torna um elemento fundamental de disputa. Não deixemos que tomem das nossas mãos o que sempre tivemos orgulho de ser protagonistas!

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 FEMINISMO CAMPONÊS E POPULAR 

A discussão sobre o feminismo e as identidades de gênero é um desafio posto por mulheres e homens, sujeitos que há muito tempo vêm contribuindo para a construção dos movimentos populares do campo. No MCP, não podemos deixar de fazer esse debate, porque ele perpassa por um sistema profundo de dominação, ou seja, faz parte da exploração e opressão.

Logo, a luta das mulheres por sua autonomia precisa marchar junto com a luta contra os transgênicos, contra o agrotóxico, contra os grandes latifúndios, contra as monoculturas. Trata-se da construção por novas relações entre os seres humanos, que precisa ser construída desde já.

É preciso o posicionamento evidente e sonoro de que a igualdade plena nas relações de gênero só pode ser alcançada inteiramente com a destruição do capitalismo. Por isso, quando falamos em feminismo camponês e popular é porque reconhecemos as mulheres inseridas na luta, seja no MCP, seja em outros movimentos, associações, grupos, etc., e que lutamos para destruir todas as formas de dominação e exploração deste modelo, que transforma tudo em mercadoria.

Nosso debate é no horizonte da liberdade, na construção individual, mas também coletiva (na luta, nos movimentos sociais, na participação nas reuniões, nas instâncias de tomada de decisão, etc.), porque o debate não vai nos dividir (homens versus mulheres), pelo contrário, vai fazer com que avancemos no projeto de sociedade que queremos.

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 IDENTIDADE DE GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL 

 

O MCP vem se desafiando a discutir junto com outros movimentos do campo, das águas e florestas a questão da identidade de gênero e também da diversidade sexual, ao se amparar no acúmulo feito a partir dos encontros de mulheres, estudos e debates dos setores e coletivos que discutem gênero dentro do Movimento e juntamente com parceiros.

A direção do debate dentro do MCP parte do horizonte de que somos pessoas plurais, mas que temos clareza nos objetivos políticos do nosso Movimento. Nesse contexto complexo de avanço do capital e do conservadorismo, é necessário compreender a diversidade dos sujeitos que compõem a classe trabalhadora como forma de fortalecer e qualificar todas as formas de luta e resistência, além de sermos espaço de acolhida.

Sabemos que há um longo caminho pela frente, mas é preciso quebrar preconceitos e romper com dogmas para agregar pessoas na luta e avançar mais na luta por uma sociedade igualitária.

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 QUALIDADE DE VIDA NO CAMPO 

Para nós qualidade de vida no campo é ter acesso a infraestrutura básica, como água, energia, saneamento básico, internet, moradia que garanta conforto, segurança e mobilidade (manutenção das estradas rurais e pontes). 

Esse eixo sempre esteve presente nas reivindicações de luta do MCP, sendo que a luta por moradia no campo resultou no Projeto Moradia Camponesa por meio da Política Nacional de Habitação Rural (PNHR) que permitiu que centenas de famílias tivesse acesso a uma moradia digna.

Nesse processo de luta pelo reconhecimento do direito à Moradia Camponesa, percebemos o quanto o eixo qualidade de vida faz diferença na vida das famílias do campo, que ao longo da história sempre foram marginalizadas e deixadas à própria sorte, sem ter o mínimo das condições estruturais para o conforto e segurança de núcleo familiar, especialmente para a manutenção da missão de produzir alimentos para toda a sociedade.

Dessa forma, a luta por qualidade de vida no campo é fundamental para que os camponeses e as camponesas possam continuar no campo, produzindo alimentos e preservando a natureza.

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 AGROECOLOGIA 

 

A Agroecologia nasce como possibilidade de mudança paradigmática num cenário socioeconômico, político e ambiental de resposta à diversos problemas desencadeados pelo capitalismo, principalmente no contexto de implementação e avanço da Revolução Verde. Parte da noção de que não se pode estudar as interações existentes dentro do contexto rural, que em grande medida afetam também o contexto urbano, sem estabelecer os nexos a partir de uma análise complexa da realidade, bem como da conexão entre as ciências naturais e humanas.

No âmbito da matriz produtiva a Agroecologia tem um papel fundamental de reduzir a dependência do campesinato de insumos químicos, priorizando a utilização dos elementos disponíveis na unidade produtiva e a produção de alimentos saudáveis. Partindo da observação dos padrões naturais, o campesinato resgata formas sistêmicas e holísticas de interação com o ecossistema, fortalecendo os elementos de equilíbrio na produção. Isto se traduz em solo vivo e fértil, água limpa e bem utilizada, baixa incidência de enfermidades e plantas saudáveis.

Do mesmo modo, quando falamos de Agroecologia abordamos a construção de mercados camponeses, apoiamos os circuitos curtos de comercialização, a relação direta entre produtores e consumidores e a redução da dependência do campesinato em relação aos intermediários, que se apropriam da maior parte da riqueza produzida no campo. Assim, uma das nossas tarefas, além de organizar a produção é trabalhar na perspectiva do fomento a estruturas associativistas e cooperadas de escoamento da nossa produção. Neste sentido, estruturamos nosso processo organizativo, a partir das experiências dos movimentos populares do campo.

Ainda assim entendemos que não se trata somente de formas solidárias de comercialização ou técnicas sustentáveis de cultivo e manejo de agroecossistemas, mas de todo o corpo de interações naturais e humanas que se desenvolvem no meio rural e urbano, inclusive o consumo. Nesta perspectiva não faz sentido implementar um manejo agroflorestal, realizar a diversificação consorciada de cultivos ou promover o resgate e a multiplicação de sementes crioulas dentro de um sistema produtivo se não ocorre paralelamente a isto, um processo de reeducação e reestruturação do consumo alimentar, tanto das famílias camponesas como das famílias urbanas.

O MCP compreende que a Agroecologia possibilita a autonomia camponesa e busca o protagonismo camponês em todos os ciclos dos processos de produção, comercialização e consumo. Com isso, contribui na produção de alimentos saudáveis, na luta pela Soberania Alimentar e na luta contra o agronegócio e as grandes redes de comercialização. É a ferramenta que temos para garantir qualidade e quantidade de produção para alimentar 210 milhões de pessoas no Brasil. Significa retomar o controle e o poder de decisão sobre o sistema agroalimentar, de ponta a ponta. Por isso, quando nós do MCP trabalhamos com Agroecologia estamos potencializando nossa luta por Soberania Alimentar e Poder Popular.

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 PODER POPULAR 

O projeto popular para o Brasil é um dos objetivos fundamentais do MCP. Significa um novo projeto de país, uma proposta de sociedade que queremos no futuro, e é contrária a esta sociedade capitalista em que vivemos hoje, onde a riqueza se concentra em poucas mãos e a miséria aumenta a cada dia.

No capitalismo, a busca desenfreada por lucros destrói a terra, as águas e todas as formas de vida. É uma sociedade insustentável! Não é possível construir tudo que sonhamos dentro desta sociedade perversa, pois o que sustenta o capitalismo é a desigualdade, é a exploração, é a destruição do meio ambiente. Isto está no seu alicerce: o que mantém e fortalece o sistema capitalista é a desigualdade e a exploração.

O projeto popular busca a igualdade, a liberdade, a qualidade de vida de todos trabalhadores e trabalhadoras e todos os camponeses e camponesas, a democratização da terra, dos meios de comunicação, a igualdade de gênero, a agricultura camponesa e a agroecologia. Nesse sentido, o projeto popular é um objetivo que queremos alcançar. Deve ser divulgado, pois é de interesse de todos os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade.

Não estamos sozinhos nesta construção, somos continuadores da luta. Muitos já lutaram e nós, juntamente com outras tantas organizações do campo e da cidade, somos herdeiros da história de luta e resistência do povo brasileiro.

 Saiba mais sobre o MCP 

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