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Militantes do MCP se formam em Medicina, Medicina Veterinária e Direito


O ensino superior no Brasil sempre foi elitizado, branco e excludente. Apesar das transformações ocorridas nos últimos, fruto de muita luta e mobilização social dos diversos grupos sociais subalternizados, o número de brasileiros com uma formação ainda é pequeno. Estima-se que das pessoas entre 25 a 34 anos, não ultrapasse os 21% com ensino superior.


Desde o final do século XX que as organizações do campo têm se articulado em torno de lutas pelo direito à educação pública e de qualidade. O processo de luta para que seja efetivado o acesso da população que vive no e do campo perpassa pela construção de um projeto de país da inclusão e do respeito às diversidades. Nisto, está embasada a educação em sintonia com as diferentes realidades.


Por meio da educação, o MCP acredita na construção de um projeto de campo que respeite todas as formas de vida e a diversidade humana. O acesso à educação, em todos os níveis, proporciona a elaboração de uma sociedade pautada na agricultura camponesa, com atenção à biodiversidade e à agroecologia. Esse objetivo se soma na luta pelo ensino superior e na inclusão de camponeses e camponesas.

É nesse contexto que no mês de março duas jovens de famílias camponesas se formaram em medicina, pela Escola Latino Americana de Medicina - Venezuela. Ethiely dos Santos Ribeiro e Débora Neves Vitor, agora médicas fazem parte de uma grande delegação de jovens que foram para a Venezuela com o sonho de estudar medicina na bagagem.


A Escola Latino Americana de Medicina - Venezuela (ELAM) foi criada em 2007 pelo então presidente Hugo Chávez, com o objetivo dar a oportunidade para que pessoas pobres de países periféricos se tornem médicas.


Além das duas novas médicas, também se formam no primeiro semestre de 2022, Weslayne C. Moreira e Ezequiel Gonçalves Moreira, que terminam o curso de Medicina Veterinária, por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e movimentos sociais do campo, como o MST. Outra militante do Movimento Camponês Popular (MCP), Jéssica Brito, graduou-se em Direito, também pelo Pronera, em parceria com a Universidade Federal de Goiás.


Estes novos formados compõem o sonho e a luta diária dos povos do campo, das águas e das florestas pelo acesso ao ensino superior. Apesar das dificuldades conjunturais enfrentadas em nosso país e dos constantes desmontes nos direitos sociais, seguimos em luta, resistindo e avançando.

O MCP reconhece a luta conjunta dos diferentes movimentos sociais do campo, das águas e das florestas pela educação, reconhece e parabeniza cada uma e cada um pela conquista do título universitário de advogada, médicos veterinários e médicas, pois essa vitória coletiva é acompanhada de grande esforço e sacrifícios individuais para garantir o sonho, que é pessoal, mas é igualmente coletivo.


Nossos desafios não se encerram com a conclusão destas turmas e no sonho desses camponeses, camponesa, filhos e filhas de agricultores familiares. A luta continua para que a Educação no Brasil seja valorizada, os educadores e educaras tenham o merecido reconhecimento de sua importância e a universidade seja uma realidade possível para toda a classe trabalhadora.


Por isso, é necessário um governo federal que leve a sério a educação de nosso povo. E isso se faz com investimentos, políticas públicas educacionais e sociais. Viva a Educação. Viva o povo camponês que rompe as cercas da universidade, em todas as trincheiras!


"Num lugar em que tudo dá no chão

na escola deveria ter fartura.

Um país desnutrido de leitura

só se salva comendo educação."

Braulio Bessa