Intercâmbio fortalece a agricultura familiar camponesa e promove formação sobre tecnologias sociais e sementes crioulas em Santa Luzia do Pará (PA)
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Nos dias 28 e 29 de julho, o Movimento Camponês Popular (MCP) em conjunto com a Associação Nacional de Fortalecimento da Agrobiodiversidade (AGROBIO) e a Associação Nacional de Agrobiodiversidade dos Povos da Amazônia em Defesa do Meio Ambiente e da Vida (ANAPAMAV), realizaram em Santa Luzia do Pará (PA), um importante intercâmbio reunindo camponeses e camponesas, guardiões de sementes, organizações parceiras, técnicos e instituições comprometidas com o fortalecimento da agricultura familiar camponesa.
As atividades integram a Rede Sementes da Vida: Cultivando a Agrobiodiversidade e Fortalecendo a Agroecologia no Brasil, desenvolvida no âmbito do Projeto Da Terra à Mesa. A iniciativa promove processos de formação, intercâmbios, experimentação e socialização de tecnologias voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar camponesa, da agroecologia e da conservação da agrobiodiversidade, tendo as sementes crioulas como patrimônio dos povos e elemento estratégico para a soberania alimentar.
Ao longo dos dois dias, os participantes compartilharam experiências, conhecimentos e tecnologias voltadas para a produção de alimentos, a agroecologia e a valorização dos saberes construídos pelas famílias camponesas. O intercâmbio demonstrou a importância da formação permanente e da construção coletiva do conhecimento como instrumentos para fortalecer a autonomia produtiva, a cooperação e a organização popular nos territórios.
Tecnologia apropriada para fortalecer a produção de arroz

Um importante momento da programação foi a colheita de arroz, acompanhada da apresentação e teste da colheitadeira do Programa Arroz da Gente. Desenvolvida para atender às necessidades da agricultura familiar camponesa, a tecnologia busca ampliar a eficiência da colheita, reduzir o esforço das famílias e fortalecer a produção de arroz com equipamentos apropriados à realidade do campo.
A atividade comprovou que o acesso a tecnologias adaptadas às condições da agricultura familiar é fundamental para ampliar a capacidade produtiva das comunidades, reduzir custos e fortalecer a autonomia das famílias, sem abrir mão dos princípios da cooperação e da produção de alimentos saudáveis.
Outro momento de destaque foi a Oficina de Torração de Arroz, que apresentou uma tecnologia popular e social de secagem utilizando o tradicional forno de fazer farinha. A oficina evidenciou como os conhecimentos desenvolvidos pelas próprias comunidades podem ser aperfeiçoados e compartilhados, agregando valor à produção e fortalecendo os processos de beneficiamento realizados pelas famílias camponesas.
Corredor Agroecológico fortalece a transição agroecológica

A programação também incluiu uma visita ao Corredor Agroecológico – Polo Irradiador de Santa Luzia do Pará, onde todos os presentes puderam conhecer experiências práticas de recuperação produtiva, diversificação dos sistemas agrícolas e organização comunitária.
O Corredor Agroecológico tem se consolidado como um espaço de referência para a construção de metodologias de transição agroecológica, demonstrando que é possível produzir alimentos de forma sustentável, recuperar áreas degradadas, conservar a agrobiodiversidade e fortalecer os territórios camponeses por meio da organização coletiva.
Essas experiências também representam uma estratégia de enfrentamento da crise climática, contribuindo para reduzir os impactos de eventos extremos, como o El Niño, por meio de sistemas produtivos mais resilientes e adaptados às mudanças do clima.
Durante a visita, foram compartilhadas experiências sobre manejo agroecológico, conservação dos recursos naturais e estratégias para ampliar a produção de alimentos saudáveis, respeitando os ciclos da natureza e valorizando os conhecimentos acumulados pelas famílias camponesas.
Formação fortalece o melhoramento participativo de sementes crioulas

Outro importante eixo do intercâmbio foi o processo formativo sobre melhoramento participativo de sementes crioulas, em que foram apresentadas práticas de seleção, conservação, multiplicação e melhoramento das sementes crioulas, demonstrando que a inovação também nasce da experimentação realizada pelas próprias comunidades e do diálogo entre os conhecimentos tradicionais e o conhecimento técnico.
As sementes crioulas representam um patrimônio construído por gerações de famílias camponesas. Adaptadas às diferentes condições climáticas e produtivas dos territórios, elas garantem maior autonomia para quem produz, fortalecem a agrobiodiversidade e reduzem a dependência de sementes comerciais.
O melhoramento participativo amplia esse processo ao permitir que as próprias famílias sejam protagonistas na seleção e no desenvolvimento de variedades cada vez mais adaptadas às suas realidades, fortalecendo sistemas produtivos mais resilientes, diversos e sustentáveis.
Além dos aspectos técnicos, a formação reforçou que preservar sementes crioulas significa também preservar histórias, culturas, identidades e os saberes tradicionais que acompanham esses materiais genéticos ao longo das gerações.
Texto: Ana Lydia - Comunicação MCP.

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