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Carta às mulheres camponesas

Updated: Mar 17, 2021

Brasil, 8 de março de 2021.


Companheiras de luta,



Chegamos a mais um 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres. Todos os anos nessa data nossos corações pulsam mais fortes, pois aprendemos em nossa organização que março é um mês de resistência, de rebeldia, de organização e de luta das mulheres contra os diversos tipos de violências que nos oprimem e também para defender nossos direitos. O 8 de março é momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas, patrimoniais e sexuais ainda sofridas por nós, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi conquistado com muita luta e sangue.


Vivemos tempos difíceis que se agravaram com pandemia da Covid-19 e do (des)governo de Bolsonaro, e isso vem causando fortes impactos na vida do povo brasileiro e principalmente na vida das mulheres do campo e da cidade. Tem aumentado a violência contra nós, os casos de feminicídio, o conservadorismo, o empobrecimento, retirada de direitos, falta de políticas públicas específicas, sem contar as milhares de pessoas morrendo todos os dias vítimas da pandemia e da fome.


São tantos os motivos para ir às ruas com nossas bandeiras, que não caberiam nesta carta se fossemos pontuar, porém, nesse momento de pandemia precisamos preservar a vida e por isso, seguir as recomendações do cuidado e do isolamento social.


Mesmo assim companheiras, temos grandes desafios, e o principal deles é fazer a luta de onde estamos. Mas como? Nós, mulheres camponesas, somos guardiãs da soberania alimentar, temos em nossas mãos o poder de produzir alimentos saudáveis, então, temos um compromisso que é aumentar e diversificar a nossa produção. Existem milhares de pessoas passando fome, há muitos alimentos sendo produzidos, mas têm milhares de mulheres que não tem recursos para comprar alimentos para suas famílias. Então, temos a missão de produzir e vender a preços acessíveis para todos terem acesso à alimentação. Podemos fazer campanhas, doações, diversificar a produção para fortalecer a comercialização direta, evitar os atravessadores, incentivar o aproveitamento integral de partes dos alimentos como talos, cascas e caroços, além de fomentar uma série iniciativas no âmbito de economia do cuidado, como cozinhas e creches comunitárias, bancos de alimentos onde possamos trocar comida, ou seja, ajudar da forma que conseguirmos.


Apesar de não poder realizar nossas atividades, não devemos esquecer que a luta continua, que podemos nos comunicar por telefone, por mensagens. Não podemos ir com nossas bandeiras para as ruas, mas podemos ergue-las bem alto em nossas casas, podemos compartilhar no grupo de mensagens nossas lavouras, nossas hortas, nossos bordados e toda forma de resistência que praticamos todo dia.


Existem muitas iniciativas de solidariedade acontecendo no Brasil, inclusive, nós já fizemos várias ações de doação de alimentos, cestas e precisamos continuar, pois ainda tem muitas pessoas precisando do básico, do alimento. Lembrando sempre, companheiras, que essas ações devem levar consigo nossas palavras de ordem e nossas bandeiras de luta. São ações políticas e educativas: todas e todos nós aprendemos com elas.


Companheiras, continuemos animadas, apesar das dificuldades que enfrentamos no momento do país, ainda temos muito a fazer, ainda temos muito a lutar e muito a conquistar. Viemos até aqui juntas e continuaremos firmes, unidas umas às outras até que consigamos alcançar a tão sonhada transformação social e até que todas sejamos livres.


Continuaremos juntas e unidas, lutando por dias melhores, lutando por vacina para todas e todos, pelo auxílio emergencial para quem mais precisa, por um sistema de saúde (SUS) forte e preparado para atender a população e lutando por alimentos saudáveis em quantidade e acessíveis para toda a população! O povo não pode morrer de fome!


Coordenação Nacional do MCP


Por todas as mulheres, lutamos!