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MCP inaugura cozinhas coletivas em Goiás

O Movimento Camponês Popular (MCP) finalizou a implantação de três cozinhas e o melhoramento de mais uma cozinha coletiva, no Estado de Goiás. Esses espaços são destinados à produção de alimentos feitos pelas camponesas, que se organizam para o preparo, além de realizarem outras atividades de caráter formativo. As cozinhas estão localizadas nos municípios de Jaraguá, Crixás, Divinópolis de Goiás e em Catalão. Esta última, já estava em funcionamento desde 2010 e na etapa atual foi teve sua estrutura melhorada.



A primeira cozinha organizada foi no ano de 2010, em Catalão/GO. No início das atividades, as mulheres encontraram várias dificuldades. O grupo de 12 mulheres iniciou as atividades em suas casas, pois não havia um espaço adequado para a produção coletiva. Mais tarde, devido à necessidade de regulamentação da produção exigida pela vigilância sanitária, o grupo buscou um local para produzir de forma coletiva. Como não tinham equipamentos e nem recursos para comprar, cada uma trouxe os equipamentos que usavam em casa. Não eram os melhores, nem industriais, mas era o que havia e que até então, era possível para o grupo. Juntaram seus fornos, vasilhas, masseiras, freezers e começaram a produzir coletivamente para o PNAE. O primeiro projeto foi contratado com a prefeitura de Catalão por meio do PNAE, em 2012.


Cada espaço é diversificado do outro, mas a forma de organização é a mesma. As camponesas se juntam em prol de uma proposta que coloca no horizonte a produção de alimentos, a geração de renda e a circulação dessa renda nos municípios e a possibilidade da população consumir alimentos mais saudáveis. A destinação dos produtos feitos nas cozinhas é variada, porque atende desde demandas de políticas públicas, causas sociais e a venda direta nos próprios espaços das cozinhas ou em feiras livres.


Autonomia das mulheres camponesas


Podemos afirmar que a não remuneração do trabalho das mulheres na produção é decorrente das relações desiguais de gênero calcadas na divisão sexual do trabalho. As relações de gênero na agricultura camponesa são determinadas a partir do papel desempenhado pelas mulheres camponesas, onde elas estão inseridas na esfera privada, da reprodução; e os homens fazem parte da esfera pública e social.

Assim, dá-se a impressão que as mulheres são apenas donas de casa, mas isso não é verdade. Essa realidade é muito forte no campo, pois em sua maioria, os homens têm pouquíssimo compromisso com o trabalho reprodutivo, como a arrumação da casa, a comida, cuidado com os filhos, com os idosos, lavar as roupas... Esses são trabalhos que geralmente cabem exclusivamente às mulheres. E ainda, elas possuem o trabalho fora de casa, seja dos cuidados com os pequenos animais, com o quintal e a “ajuda” ao marido, seja na roça, seja com os animais.



Apesar de realizarem diversos e intensos trabalhos, as mulheres camponesas não possuem a própria renda para que possam aplica-la conforme seu desejo, seja para elas, seja para o conjunto da família. Nesse sentido, a busca da autonomia econômica das mulheres camponesas se torna uma questão fundamental, seja para melhorar as condições econômicas dela e da família ou para modificar a relação de subordinação social em que vivem, já que seu trabalho considerado apenas como ajuda ao marido é compreendido como algo que não gera renda.

Marivalda, uma das camponesas pioneiras do grupo que fundou a primeira proposta destaca que o início do sonho coletivo iniciou com um encontro de mulheres com o objetivo de pudessem ter renda. “um pouquinho da história das mulheres camponesas é com a cozinha para a geração de renda e ter a sua autonomia. São mulheres que conseguiram sair de casa e vir para fazer parte de um grupo. São mulheres que passaram a dirigir e ter o seu dinheirinho, porque a gente sabe nós do campo, a renda é voltada para os maridos... tudo que é produzido e vendido é para o homem e a mulher não tinha isso. Agora com esse projeto, a vida das mulheres pode começar a mudar”.