No campo da resistência, entre sementes e luta: mutirão fortalece a agroecologia e implementa corredor agroecológico no Assentamento Moacyr Wanderley, no estado de Sergipe.
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Uma ação coletiva voltada ao fortalecimento da agroecologia e da produção sustentável marcou a manhã do último dia 06 (segunda-feira) no Assentamento Moacyr Wanderley, localizado no povoado Quissamã, no município de Nossa Senhora do Socorro (SE). O mutirão reuniu camponeses e camponesas, técnicos, instituições parceiras e movimentos sociais para a implementação de um corredor agroecológico na área coletiva da comunidade.
A iniciativa contou com a utilização de sementes crioulas fornecidas pela Rede Sementes da Vida, por meio da Agrobio e viabilizadas pelo edital do Programa Da Terra à Mesa, uma iniciativa estratégica do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). A ação integra esforços de valorização da agrobiodiversidade, promovendo o resgate e a conservação das sementes crioulas, além de fortalecer a autonomia produtiva das famílias camponesas.
A implementação do corredor agroecológico representa mais do que o plantio de espécies em consórcio. Trata-se de uma estratégia territorial que busca promover o fluxo da agrobiodiversidade, a recuperação de solos e a proteção de recursos hídricos. Esses espaços favorecem a presença de polinizadores, ampliam a diversidade de cultivos e contribuem para sistemas agrícolas mais resilientes diante das mudanças climáticas, um desafio cada vez mais presente no semiárido e nas zonas de transição ecológica.

Durante o mutirão, os participantes realizaram o plantio coletivo, trocaram conhecimentos e reafirmaram práticas baseadas nos princípios da agroecologia. A atividade também evidenciou os desafios enfrentados pelas famílias camponesas, como produzir alimentos sem o uso de agrotóxicos e resgatar sementes crioulas, muitas vezes sem o devido apoio técnico, institucional ou financeiro. Ainda assim, a organização comunitária tem se mostrado fundamental na construção de alternativas viáveis e na resistência em defesa de um modelo de produção mais saudável e sustentável no campo.
A ação conta ainda com o apoio do Projeto Raízes Agroecológicas, que fortalece o debate técnico e político sobre a preservação da agrobiodiversidade,sistema agro alimentar e o resgate de práticas ancestrais de cultivo, além de apresentar os corredores agroecológicos como uma inovação na construção de sistemas produtivos sustentáveis e na defesa dos territórios frente ao avanço do agronegócio e à financeirização da terra e dos alimentos.
Em Sergipe, o projeto é implementado pelo Movimento Camponês Popular (MCP) e pela Associação de Camponesas e Camponeses do Estado de Sergipe (ACCESE), organizações que atuam diretamente na mobilização das comunidades, na formação política e na execução das ações.
Contou ainda com a coordenação da Universidade Federal de Sergipe (UFS), com execução da Semeia e da Fundação RTVE, além da Universidade Federal de Goiás (UFG) como proponente. A realização envolveu o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), o Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), e organizações locais como a Associação de Camponesas e Camponeses do Estado de Sergipe (ACCESE) e o Movimento Camponês Popular (MCP). A iniciativa também teve o apoio da União Europeia, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), além de outras organizações parceiras como o GP SAE, da AGROBIO, do GEERA/UFS e do MST, que contribuem para o fortalecimento das ações no território.
A articulação entre essas diversas instituições evidencia que a construção de alternativas no campo passa, necessariamente, pela integração entre conhecimento técnico, organização social e compromisso político com os territórios. Experiências como essa demonstram que, mesmo diante de desafios estruturais, é possível fortalecer a agroecologia como caminho viável para a produção de alimentos saudáveis, a conservação ambiental e a promoção da soberania alimentar, reafirmando o protagonismo das comunidades camponesas na construção de um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável.

Fotos: GEERA-UFS / MCP-SE / ACCESE
Redação: Alysson Alves - Comunicação MCP/SE; ACCESE. (@alysson.yxt).
Diego Eleonaldo - Comunicação MCP/SE; ACCESE. (@diegxe).

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