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MCP implanta UBS para beneficiamento de sementes crioulas no interior de Goiás

No município de Ouvidor, localizado a mais ou menos 300 km da capital de Goiás, está em fase final de construção uma Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS), com capacidade para 4 toneladas por dia na linha de produção.



Os grãos chegam à unidade de beneficiamento e são transportados para linha de beneficiamento, iniciando primeiramente a operação de pré-limpeza até o processo final de transformar em fubá, canjica, flocão e outros.


A capacidade da unidade vai desde a secagem dos grãos, em que ocorre o processo de secagem, reduzindo a umidade normalmente de 18 para 13% e dura em torno de 5 horas, até o armazenamento.


A construção da UBS conta ainda com uma estrutura auxiliar de escritório para funcionamento da parte administrativa da unidade e apoio para técnicos.


A implantação desta UBS é resultado de uma parceria coordenada pela Embrapa e BNDES, juntamente com a descentralização por meio de uma associação de agricultores beneficiária. Esse ciclo de parcerias garante do acesso por parte dos camponeses do Estado de Goiás, que estão organizados na base do Movimento Camponês Popular (MCP).


Juntamente com a implantação dessa Unidade de Beneficiamento, outras ações acontecem em harmonia com os objetivos, cuja premissa máxima é o fortalecimento do trabalho com as sementes crioulas, desde as condições técnicas para a produção até a aplicação de agregação de valor e diversificação dos derivados. Após a finalização da estrutura será possível atender camponeses do município e do entorno, além de estar sendo construída a ampliação para outras regiões de Goiás.


Dentre as ações previstas juntamente à estrutura física, são implantados corredores agroecológicos, ensaios de valor, cultivo e uso, campos de competição, lavouras comunitárias e assistência técnica aos camponeses.



A Produção de Sementes como estratégia para Construção da Autonomia Camponesa


A agricultura camponesa prima pela diversificação na produção. Não é monocultora. Combina produção animal com produção vegetal e faz agricultura e criação de animais o ano todo, o que tem um papel importante na agricultura camponesa. Para tanto, a posse da terra é um dos elementos fundamentais da constituição do espaço de liberdade proporcionado por esta forma de produzir alimentos e de viver.


No momento histórico em que vivemos, essa agricultura camponesa se encontra pressionada pelo mercado capitalista. Essa ação mercadológica força os camponeses a migrações constantes, a se inserirem no mercado internacional, a produzirem monoculturas, a fornecerem mão de obra para as empresas capitalistas, a endividarem-se no sistema financeiro, a integrarem-se com as agroindústrias, a serem complementares à produção dos latifúndios e a consumirem o pacote tecnológico das transnacionais.


No sentido de encontrar uma alternativa o Movimento Camponês Popular – MCP vem desenvolvendo uma experiência de resgate, produção, multiplicação e distribuição de sementes de variedades. Iniciou-se ainda em 2008 um trabalho de recuperação, preservação, multiplicação e distribuição de sementes de variedades crioulas em comunidades camponesas do estado de Goiás.


Isso vem desempenhando, atualmente, um papel relevante em comunidades de agricultura camponesa, onde são comuns os problemas de estresses ambientais, como os relacionados à fertilidade dos solos e condições climáticas desfavoráveis. Estas práticas estão contribuindo para a construção de um ambiente agrícola sustentável, com a elevação de renda e agregação de valores ambientais e sociais, criando as bases para a construção da autonomia relativa das famílias camponesas, que passam a ter autonomia sobre a produção das sementes e assim consequentemente, na produção de alimentos.


O resgate das sementes crioulas, mas que garantir a autonomia dos camponeses na produção de alimentos, garante a continuidade da agrobiodiversidade, da luta em defesa da soberania alimentar tendo sempre como lema a campanha internacional da Via Campesina – Sementes: Patrimônio dos Povos a Serviço da Humanidade.


Lutar pela agrobiodiversidade é reconstruir a relação afetuosa que as sementes crioulas sempre nos proporcionaram. Ao se manusear uma semente preservada pelas camponesas, povos indígenas e quilombolas pode-se sentir a energia da vida que atravessou nossa história. Nesse toque simbólico se perceberá o porquê a semente crioula é patrimônio da humanidade.