MUTIRÕES FORTALECEM A AGROECOLOGIA COM A IMPLANTAÇÃO DE CORREDORES AGROECOLÓGICOS NOS MUNICÍPIOS DE LAGARTO, TOMAR DO GERU E UMBAÚBA EM SERGIPE
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Os mutirões realizados pelo Movimento Camponês Popular (MCP), nos dias 17 e 18/04, nos municípios de Lagarto, no campus do Instituto Federal de Sergipe, Umbaúba, no povoado Guarema, e Tomar do Geru, no povoado Oiti, vão além de ações pontuais de plantio. Eles integram um processo estruturado de implantação de corredores agroecológicos que vem se consolidando em Sergipe, articulando conhecimento técnico, saberes tradicionais e mobilização comunitária para transformar as formas de produção de alimentos no território.
A implantação desses corredores começa ainda antes do plantio, com o diálogo direto com as famílias camponesas. Nesse momento, são identificadas as áreas prioritárias, considerando aspectos como disponibilidade de água, qualidade do solo e histórico de uso da terra. Em seguida, técnicos e agricultores realizam o planejamento coletivo dos sistemas produtivos, definindo o consórcio de culturas, como milho, feijão, mandioca dentre outras culturas, de modo a garantir diversidade, segurança alimentar e geração de renda.
Outro passo é o preparo do solo, feito com base em princípios agroecológicos, evitando o uso de insumos químicos e priorizando práticas como adubação orgânica, cobertura vegetal e manejo sustentável. Durante os mutirões, esse trabalho se torna coletivo. Homens, mulheres e jovens participam ativamente da limpeza da área, marcação dos canteiros e plantio das culturas, fortalecendo os laços comunitários e a troca de conhecimentos.
A importância dos corredores agroecológicos vai além da produção imediata. Eles funcionam como verdadeiras redes vivas que conectam áreas produtivas, promovendo a recuperação ambiental e o equilíbrio ecológico. Ao diversificar os cultivos e preservar a cobertura do solo, essas áreas ajudam a reduzir a erosão, conservar a umidade e proteger a biodiversidade, fatores essenciais diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Os corredores também fortalecem a autonomia das famílias agricultoras. Ao produzir alimentos saudáveis e diversificados, os agricultores reduzem a dependência do mercado externo e ampliam suas possibilidades de comercialização, seja em feiras locais ou em programas institucionais.

Além disso, a construção coletiva desses espaços reforça o sentimento de pertencimento e organização comunitária. Os mutirões se consolidam como espaço pedagógico, de troca de experiências e vivências e do fortalecimento da identidade camponesa.
Com novas etapas já previstas, a expectativa é expandir os corredores agroecológicos para outros territórios do estado, ampliando o impacto da iniciativa. Em um contexto de crise climática e insegurança alimentar, ações como essa reafirmam a centralidade da agricultura familiar e da agroecologia.
A ação contou com a parceria estratégica do Projeto Raízes Agroecológicas, com apoio do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e da União Europeia (UE), coordenação do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e liderança técnica da Embrapa. Também contribuem para esse processo a Agrobio e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio do edital “Da Terra à Mesa”.
A mensagem que ecoa dos territórios é direta e urgente: se o campo não planta, a cidade não janta!

Texto: Diego Eleonaldo - Comunicação MCP/SE; ACCESE

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